
Beba, meu amor, fique acordada a noite toda
As coisas que você poderia fazer, você não vai, mas deveria
O potencial que você terá e que nunca verá
As promessas que você apenas fará
Beba comigo agora e esqueça a pressão dos dias
Faça o que eu digo e eu te deixarei bem, e afastadas ficarão
As imagens presas na sua cabeça
Pessoas com quem você esteve antes e não quer mais ao seu redor
Que forçam e empurram, e não vão se curvar para a sua vontade
Eu as manterei quietas.
Beba, amor, olhe para as estrelas, eu vou te beijar de novo
entre os bares de onde eu estou te vendo
alí, com as mãos no ar esperando para serem finalmente agarradas
Beba mais uma vez, e eu vou te fazer minha
Eu te deixarei em separada no meu coração, separada do resto
Onde você será a melhor
e manter as coisas que você esqueceu
Pessoas com quem você esteve antes e não quer mais ao seu redor
Que empurram e mentem e não vão se curvar para a sua vontade
eu ainda vou mantê-las quietas.
— Elliott Smith
“Nunca lhe dão um desejo sem também lhe darem o poder de realiza-lo. Você pode ter de trabalhar por ele, porém.” — Richard Bach.
(Source: frangocomfarofa)
- Dot era um vampiro da Transilvânia - disse ele. - Ou para ser mais preciso, dot era a forma de pensamento de um vampiro da Transilvânia. Se algum dia você quiser explicar alguma coisa, e achar que a pessoa não esta escutando, arranje uma forminha de pensamento para demonstrar o que quer dizer. Acha que exagerei, com a capa, os dentes e aquele sotaque? Estava muito apavorante para você?
- A capa foi de primeira, Don. Mas foi o mais estereotipado, bárbaro… nao fiquei nada apavorado.
Ele suspirou
- Ah, bem. Pelo menos você entendeu o que eu queria dizer, e e isso que interessa.
- O que era?
- Richard, ao demonstrar-se tao feroz contra o meu vampiro, você estava fazendo o que queria fazer, mesmo sabendo que iria prejudicar outra pessoa. Ele chegou a lhe dizer que passaria mal se…
- Queria sugar o meu sangue!
-E isso que fazemos com qualquer pessoa quando dizemos que passaremos mal se nao viverem do nosso jeito!
Fiquei calado muito tempo, pensando. Sempre achara que somos livrtes para fazer o que quisermos desde que nao façamos mal mutuamente, e isso nao condizia com o que acontecera. Faltava alguma coisa.
- O que me intriga - disse ele - é uma frase feita que, na verdade, é impraticável. A questão é fazer mal aos outros. Nos mesmos escolhemos se vamos ser feridos ou não, aconteça o que acontecer. Somos nos que resolvemos, e mais ninguém. O meu vampiro lhe disse que passaria mal se voce nao aceitasse? Isso foi a sua decisão de ser ferido, foi a sua escolha. O que você faz a respeito é a sua decisão, a sua escolha: Da-lhe o sangue; ignora-o; amarra-o; enfia um galho de azevinho no coração. Se ele não quiser o galho de azevinho, tem liberdade de resistir, do jeito que desejar. E isso continua indefinidamente, escolhas e mais escolhas.
- Pensando assim…
- Escute - disse ele -, é importante. Somos todos. Livres. Para fazer. O que quisermos. Para fazer.
(Source: frangocomfarofa)
Outro dia - ou outra noite - passei a madrugada escrevendo. Rabisquei, anotei, fiz barulho ao pegar um copo d’água na cozinha, deixei meu primo irritado. Meu primo dorme aqui depois da aula a noite, por causa da distância da sua casa até o curso. Passei metade da noite escrevendo com a luz acesa, e quando lembrei que ele acordaria às cinco daquela madrugada, resolvi desligar a luz. E lá estava eu, escrevendo no escuro, só com a luz acesa do celular.
Forcei a vista, mas não tive sono. Lembrei que um professor meu disse que o meu caso não era falta de inspiração, e sim, falta de técnica. Mas, meu amigo, quem é que precisa de técnica às quatro da manhã? Quem precisa de técnica é o jornalista que vai trabalhar logo cedo, e precisa publicar a notícia - e ainda sim, mal contada - nos jornais. Quem precisa de técnica é o moço que escreve, apressado, o trabalho da universidade afim de entregar na manhã próxima.
Eu precisava mesmo era de sono, e de umas boas obrigações. De um trabalho no dia seguinte, de um apartamento que não fosse o dos meus pais. Eu era só mais uma pessoa que passava a semana cuidando da casa sozinha e que estudava, e tinha uma companhia e meia ao dormir. Companhia e meia porque a família só chegava em casa, comia e dormia. Grande companhia. Eu era alguém que não precisava de técnica, nem de pressa, muito menos de pressão. Foi aí que eu resolvi mandar meus textos para o inferno - essa expressão é tão boa, dá um tom de rebeldia, não é? - e ler os textos do site de um escritor. Já até virou rotina passar por lá de madrugada.
Não sei se esse rapaz é formado. Só sei que eu me encontro alí. Eu gosto das minhas histórias, e as vezes me pego rindo junto a elas, como se os livros e os cadernos da minha prateleira pudessem me ouvir. Mas ainda sim, troco por outras, ainda sim, não me sinto completa. Ah, e isso não é um lamento! É só uma explicação.
Como você pode ver, rodei, rodei e ainda não cheguei ao final da rua. Voltando a contar os fatos daquele dia, às cinco e meia eu ainda estava sem sono. Mas não importa, fui lendo. Li até o alarme do meu pai tocar, e aí então achei melhor me esconder debaixo do cobertor.
Assim terminava minha noite. Sem barulhos, e o chão do quarto forrado de papéis rasurados. Meu primo atravessou o quarto na ponta dos pés, para não me acordar. Coitado, ao contrário da pessoa que fez barulho a droga da noite toda. Meu teatro deu certo, eu acho. Me viram dormir e nem perguntaram que bagunça era aquela. Fechei os olhos após ter lido palavras de conforto, provindas de outrem e mandei as minhas lá para o inferno. Espero que o senhor diabo tenha tirado proveito. E dormi bem.
… e eu preciso correr. Amanhã publico tudo o que eu disse que iria escrever. E que você tenha um bom dia! Não sei se conseguirá ler isso pela manhã, mas… tudo bem. E se ainda estiver em Brasília, vá, corra para Anápolis! E dê um abraço na sua mãe por mim. Amo você. (:
Saí do meu quarto na ponta dos pés, fui andando quietinha em direção a cozinha. O relógio da sala fazia TIC TAC. Abria a geladeira e peguei um pote de sorvete de pistache, fui para a sala e abri um livro que estava em cima da mesa, A Letra Escarlate, se me recordo bem, tinha uma boa história, mas eu queria ação. Fechei o livro e liguei a televisão, é claro que não tinha nada de interessante, já passava das 2 horas da manhã e meu sorvete estava quase ao fim. Bom, pelo menos agora minhas pálpebras estavam pesadas e minha cabeça pendia para trás, dormi ali mesmo no sofá.
Acordei parece que 20 minutos depois, meu corpo todo doía, estava zonza, meio aturdida. A casa estava tão escura, silenciosa, nem o relógio com seu TIC TAC pude ouvir, de repente começou a cair pedras no telhado. Não, não eram pedras, chovia granizo e ventava forte, acho que ouvi gritos lá fora, fui abrir a porta, meio indecisa ou era medo do que ia acabar vendo lá fora. Destranquei a porta e abri. Fiquei meio estarrecida, sem saber se voltava para dentro ou corria para fora. Achei estar delirando, pois não havia chuva, nem terra molhada ou vento, mas sim um sol que ofuscou meus olhos, o céu estava tão azul – uma azul que nunca vira antes – cores e pessoas estranhas de rostos sorridentes, cantantes. Que houve? Festa?
Eu podia sentir a vibração deles, estavam felizes, de verdade, me pegaram pelo pulso e me levaram para o meio do jardim, todos me olhavam ansiosos, esperavam por algo. Mas o que? Não fazia idéia nem se aquilo era em minha casa mesmo, um medo súbito veio crescendo dentro de mim, me apavorei, arregalei os olhos e tentei fugir, não importava para onde, mas eu tentava me esconder. Senti alguém tocar meu braço e me chamar, não distingui pela voz, mas foi como se eu pudesse confiar naquela pessoa, eu tinha que sair dali. Segui a pessoa – na verdade, era um homem, cabelos castanhos e pareceu ser seguro do que fazia – íamos nos esquivando das pessoas e corremos pela rua, o sol já tinha ido embora, agora só restavam alguns raios de luz e a iluminação fraca dos postes. Nos escondemos atrás de um muro, na quarta quadra que corremos, estava tudo em silêncio. Ele parou de vigiar a rua e olhou para mim, nos meus olhos e descendo para os lábios, estava sério. Disse n’um sussurro: “Não deveria estar aqui. Venha, vou te levar para casa.” Admito que fiquei pensativa quanto ir para casa, apesar do susto eu queria ficar por lá, com aquele rapaz.
- Mas se eu for, nos veremos de novo? - perguntei
- Um dia a gente se encontra, nem precisa me procurar, a gente se acha – ele disse se afastando, seus dedos se desenrolando dos meus.
As luzes se apagaram e cai sem forças no chão, tentei gritar, mas não tinha voz. Apaguei. “Acorde, menina, acorde!” escutei a voz de minha irmã. “Estamos atrasadas”. Estava deitada no sofá, então eu levantei, eram 06h35min da manhã. Eu tinha dormido, tinha sonhado. Apenas eu sonho.
Me arrumei como todos os dias e fui para minha aula de literatura, onde passei a manhã. Quando saí tive vontade de andar um pouco antes de voltar para casa, fiquei parada na banca de jornal enquanto esperava o ônibus chegar, estava cantarolando a canção que ouvi no sonho. O rapaz da banca parou o que fazia e olhava para mim com surpresa.
- Desculpe, eu te conheço, moça? – perguntou
Eu levantei o olhar e sorri feliz ao reconhecer aquelas feições, e respondi: - Só se for no mundo dos sonhos.
Caímos na gargalhada e ele veio ao meu encontro, pegou minhas mãos e perguntou:
- Quer fugir daqui?
Letícia Durães
(Source: quimerar)
Essa é uma daquelas noites em que eu abro o Word e não sei bem como me expressar. Então eu apenas encosto minha cabeça na mesa e penso por alguns segundos em como não devo deixar o medo me consumir. Embora ele tenha passado pela minha cabeça alguma hora dessas. E eu vou repetindo uma frase de autoria sua mais uma vez.
E se você me visse espirrando agora? Ou então entrando no quarto e me vendo desse jeito. Acho que você me perguntaria algo. Se estou doente, ou se estou triste. E bem, você sabe, eu ficaria feliz só de te ouvir perguntando. Suponhamos que isso seja real. Eu respondo, não é nada. É só que, depois de tanto tempo, é bom saber que é tudo isso é real.
Eu brinco de ter a sua presença. Como um holograma, lembra? Aquele que eu utilizo em minhas noites de insônia e medo. E eu, brincando de ter sua presença, recebo uma mensagem sua, enquanto eu presumia você entrando no quarto e me vendo espirrar e perguntar se eu estava doente. A mensagem dizia: “você tossindo”. É bom saber que tudo isso é real.
Eu achei uma música do tipo que eu precisava escutar. O próximo passo é esperar você chegar em casa, e aí a gente pode escuta-la. Mas hoje é sua noite, aproveite sua noite por aí! Assim como hoje foi meu dia. E quando a gente puder se encontrar, por mensagem, ou telefone, ou alguma daquelas nossas longas conversas sobre política - graças aos meus surtos pós-aula - ou até mesmo naquela minha transição de insônia e sonho que você conhece bem, a gente conversa. Enquanto isso, sorria aí, que eu sorrio daqui. É muito bom ter você.
E não preciso assinar. Você sabe que esse texto é puramente meu.
“O sistema é muito racional do ponto de vista de seus donos estrangeiros e de nossa burguesia de intermediários, que vendeu a alma ao Diabo por um preço que teria envergonhado Fausto. Mas o sistema é tão irracional para com todos os demais que, quanto mais se desenvolve, mais se tornam agudos seus desequilíbrios e tensões, suas fortes contradições. Até a industrialização dependente e tardia, que comodamente coexiste com o latifúndio e as estruturas da desigualdade, contribui para semear o desemprego ao invés de tentar resolvê-lo; estende-se a pobreza e concentra-se a riqueza, que conta com imensas legiões de braços cruzados, que se multiplicam sem descanso.”
- Veias abertas da América Latina.
(Source: pensacomigo)